Melhor Economia e Turismo

Um Sistema de Mobilidade Urbana (SMU) assente em deslocações em bicicleta promove economias mais eficientes e mais equitativas. Em contexto urbano, a bicicleta é o modo de transporte simultaneamente mais rápido, menos consumidor de espaço público e recursos energéticos, e de menor custo de construção e manutenção de infraestrutura. Para além destes ganhos de eficiência, a bicicleta é também o modo de transporte urbano mais inclusivo do ponto de vista social, económico e geográfico. Para convencer os políticos a investir em mais e melhor infraestrutura ciclável é preciso quantificar e demonstrar os seus benefícios económicos, sociais e ambientais.

O florescer do cicloturismo promove novas formas sustentáveis ​​de fruição territorial. Nesse sentido, convidamos à apresentação de resultados de investigação, de projetos, métodos e ferramentas técnicas, capazes de apoiar e orientar os decisores políticos ao nível do planeamento de recuperação e salvaguarda dos recursos territoriais promotores deste tipo de turismo sustentável. Entendemos a sustentabilidade como uma necessidade de afirmar um modelo de desenvolvimento do turismo baseado no uso correto de recursos (incluindo água, energia e solo) de modo a enfrentar as exigências ambientais e reduzir o consumo de energia e a emissão de poluentes (La Rocca, 2010).

Nos últimos anos, o uso de novas tecnologias na procura turística levou vilas e cidades à revisão das suas estratégias de promoção da sua singularidade atrativa e promoção da sua imagem  virtual. Os turistas, por sua vez, estão também mais conscientes e ativos em seu papel de visitantes e usuários da cidade. Vilas e cidades, concebidas segundo o paradigma da wise city (Coll, 2016), podem ver nos diferentes usos da bicicleta, transporte pessoal e turismo,  uma forma eficiente e resiliente de promoção da sustentabilidade e da equidade social.

A ligar os lugares temos os caminhos vicinais, muitos deles culturais e históricos, bem como estradas locais de baixo tráfego que se constituem numa rede de infraestruturas físicas essenciais ao apoio a esta forma sustentável e lenta de turismo. Esta rede de caminhos representa uma “dimensão dinâmica” da memória dos lugares por onde se passa. E, ao nível urbano, temos a rede de museus, sítios arqueológicos e centros urbanos históricos, que representam uma “dimensão estática” da cultura de um lugar, referências a integrar no plano de acessibilidade e mobilidade sustentável (Fistola & La Rocca, 2018).

Por último, focar o valor económico e sustentável gerado pela criação de redes transregionais e transnacionais, evidenciando no caso ibérico o potencial da rotas ligadas à peregrinação bem como a ligação às rotas do EuroVelo. Para tanto é necessário garantir a intermodalidade e garantir o transporte de bicicleta na rede de transporte público regional e internacional.

Na prossecução destes pressupostos interessa inventariar estratégias políticas e administrativas que representam boas práticas, quer ao nível da integração dos atores e instituições envolvidos no desenvolvimento territorial (Administrações Regionais, Universidades, Associações, Instituições Científicas Empresas, etc.), quer estudos de caso que mostrem como se consegue a melhoria da atratividade turística e como é que o cicloturismo se constitui um facilitador do desenvolvimento territorial.

As sessões do tema “Melhores economias e turismo” pretendem aprofundar o debate e conhecimento sobre os benefícios socioeconómicos de sistemas urbanos e regionais mais cicláveis, por oposição ao uso do automóvel. Entre os tópicos de interesse destacam-se:

  1. A economia da bicicleta
  2. A bicicleta no cluster da mobilidade
  3. A bicicleta e os serviços de mobilidade partilhada (Mobility as a service, Maas)
  4. Turismo em bicicleta
  5. Políticas públicas de incentivo à mobilidade ciclável
  6. Cicloturismo e governança territorial
  7. Economias territoriais e revitalização dos caminhos vicinais
  8. Externalidades positivas diretas (ou seja, todos os serviços diretamente ligados ao turismo ) / externalidades positivas indiretas (por exemplo, valorização do sentimento de pertença e reforço de ligação afetiva das pessoas aos lugares onde vivem)
  9. Tecnologias aplicadas à fruição do património cultural pelos turistas

 

Coll, Josep M. Ed. (2016) “Why Wise Cities? Conceptual Framework ” in Wise Cities: a new paradigm for urban resilience, sustainability and well-being. Barcelona. CIDOB edicions
Fistola, R. & La Rocca, R.A. (2018) “Slow Mobility and Cultural Tourism. Walking on Historical Paths” in Papa, R., Fistola, R., Gargiulo, C. (Ed) Smart Planning: Sustainability and Mobility in the Age of Change. Switzerland . Springler.
La Rocca RA (2010) Soft mobility and urban transformation. Tema. J, Land Use Mobility Environ 3(SP):85–90. University of Naples Federico II, Naples.
La Rocca RA (2014) The role of tourism in planning the smart city. TeMA. J Land Use Mobility
Environ 7(3):269–283. University of Naples Federico II, Naples

Consulte as Conclusões Finais do XVI Congresso Ibérico "A Bicicleta e a Cidade": Para além da mobilidade

Datas Importantes:

Submissão de Apresentações - Call for Papers:
31 de Março

Notificação de Aceitação de Propostas:
15 de Abril

Congresso:
2, 3 e 4 de Maio